Quarta Instrução do Grau de
Aprendiz Maçom Adonhiramita
Por Hiran de Melo
Ao abrir esta Quarta Instrução, ergo o pensamento
ao Supremo Arquiteto dos Mundos, reconhecendo que é por Sua vontade que posso
trilhar a senda da Luz. Agradeço não apenas pela vida e pela oportunidade de
servir, mas pelo dom maior de reconhecer em todos os homens — sem distinção de
classe, cor ou origem — a presença de meus Irmãos. É nesse reconhecimento que
floresce a verdadeira fraternidade, aquela que não se curva a preconceitos nem
se deixa manchar pela ambição desmedida, pelo orgulho vazio ou pelo erro
teimosamente alimentado.
Mas há males ainda mais corrosivos, que envenenam
silenciosamente o espírito: a ignorância, que fecha os olhos da alma; a
mentira, que distorce a verdade; o fanatismo, que obscurece a razão; e a
superstição, que corrompe a fé. Eles não apenas detêm o progresso — aprisionam
consciências. Combatê-los é dever sagrado, pois deles nascem a intolerância, a
violência e a estagnação dos povos.
A Maçonaria é uma escola de elevação moral, onde
cada símbolo é lição viva e cada Irmão, um espelho. Compreendo que conhecer os
princípios não basta: é preciso encarná-los. Justiça e tolerância não são
apenas palavras que ressoam na Loja; são atos que moldam a conduta diária. A
justiça garante o direito de todos; a tolerância assegura a liberdade de
consciência.
Quando um Irmão se afasta da senda, não me é dado
julgá-lo com aspereza, mas oferecer-lhe, se possível, o braço compassivo que o
conduza de volta. A verdadeira fraternidade não é conivência — e, por isso, não
hesitamos em afastar aqueles que traem a moral e a disciplina maçônicas. Não se
trata de intolerância, mas de zelar pela coluna que sustenta o templo interior
da Ordem.
O dever que me cabe não se limita à Loja: onde
houver dor, minha mão deve estar estendida; onde houver infortúnio, minha
presença deve ser auxílio; onde houver trevas, minha palavra deve ser luz. Para
isso, preciso da fé que fortalece, da perseverança que rompe barreiras e da
dedicação que age sem esperar aplausos, buscando apenas a aprovação de minha
consciência.
A Loja que habito é um quadrilongo simbólico que se
estende da Terra ao Céu, do Oriente ao Ocidente, do Norte ao Sul, e da
superfície ao centro. Nesse espaço, aprendo que sou uma pedra a ser talhada e
que o Universo é a Grande Oficina. Apoio-me sobre três colunas: Sabedoria,
que guia minha mente; Força, que sustenta meu caráter; e Beleza,
que aperfeiçoa minhas ações.
A luta contra a ignorância é constante, pois o
ignorante, incapaz de medir o valor do saber, afasta-se do sábio e não pratica
a tolerância, o amor fraternal ou o respeito próprio. Um povo ignorante
permanece acorrentado, mesmo sob leis liberais. Do mesmo modo, o fanatismo —
essa exaltação cega que perverte a razão — é capaz de levar homens, em nome de
Deus, a cometer horrores quando a fé é tomada pela sombra.
A fraternidade que cultuamos é aquela que educa,
corrige defeitos, respeita as diferenças e age sem esperar retorno. O amparo ao
Irmão ou ao profano deve ser guiado pela justiça e pelo mérito, nunca pelo
favoritismo, pois onde não há honra, não há solidariedade legítima.
Nesta Quarta Instrução, não apenas aprendi lições,
mas recebi um chamado à ação: servir mais do que pedir, agir com retidão mesmo
no silêncio, educar-me continuamente, burilar meus defeitos e aceitar o outro
com sua crença, sua ideia e sua liberdade.
Que meu templo interior esteja sempre em construção
e que minha vida seja, em tudo, para a Glória do Grande Arquiteto do Universo e
para o esplendor da Sublime Ordem que me acolhe.
Referência:
Guillemain de Saint-Victor, Louis.
Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita. Tradução Loja Gilvan Barbosa.
Campina Grande, 1989 [1781].
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